3 de abril de 2020

Denise Saueressig – Histórias Inspiradoras

Costumo dizer que não escolhi o agro, mas sim, que o agro me escolheu. Quando terminei a faculdade de jornalismo, no início de 2001, na PUCRS, apenas sabia que gostaria de trabalhar escrevendo. Quis a vida que o meu caminho como jornalista do campo tivesse início ainda em 2001, a convite de uma grande amiga, referência no setor, a Carolina Jardine. Naquela época, o Jornal do Comércio, de Porto Alegre/RS, precisava de um freelancer para a cobertura da Expointer, a maior feira agropecuária do Rio Grande do Sul e uma das maiores do Brasil. 

Até então, meu conhecimento sobre o setor era restrito a alguns textos esporádicos para revistas e outras publicações da área. Mesmo que tenha nascido no interior gaúcho, em Cruz Alta, um município em que o carro-chefe da economia é a agricultura, sempre fui bem urbana. Fato que não me impediu de reconhecer desde cedo o valor dos alimentos e de carregar o respeito ao que vem do campo. Meus avós paternos moravam em um pequeno sítio. E é nesse mesmo pedacinho de terra que até hoje meus pais produzem algumas delícias, como mel, ovos de galinha caipira, frutas e legumes.

Como repórter de agro no Jornal do Comércio, era responsável por notícias diárias que preenchiam quase uma página da edição impressa. Foi um período de muito aprendizado e desafios, afinal, era uma jornalista recém formada que precisava escrever sobre assuntos complexos. Uma das coberturas que mais me marcou foi a que envolveu a batalha dos produtores pela legalização do plantio de transgênicos e, depois, a aprovação da Lei de Biossegurança.

Em 2006, por meio de duas amigas jornalistas experientes na área – a Luciana Radicione e a Cristine Pires – fui apresentada ao Eduardo Hoffmann, diretor da Editora Centaurus, responsável pela publicação das revistas mensais A Granja e AG – A Revista do Criador. É uma grande responsabilidade escrever para A Granja, a revista mais antiga do Brasil (completou 75 anos em janeiro de 2020) e que é lida por produtores de todo o País. Considero meu trabalho desafiador. É preciso estudar, ler muito antes de produzir qualquer matéria e, na hora de escrever, transmitir a mensagem com uma linguagem adequada a um público tão segmentado.

Nesses 14 anos como repórter da publicação, tive a oportunidade de viajar por muitos estados brasileiros e a outros países conhecendo diferentes realidades. Uma das coisas que mais me fascina é ouvir e contar histórias de produtores. Ainda que na maior parte do tempo os temas abordados sejam bastante técnicos, me pego muitas vezes emocionada com muitos relatos. Como em uma reportagem especial em que falamos sobre a força crescente das mulheres no campo e em que entrevistei personagens encantadoras. 

Em 2016 me propus mais um desafio e cursei mestrado em agronegócios na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde encontrei na literatura científica muito do que vejo na prática nas minhas reportagens. Escolhi como tema da minha dissertação a cadeia da olivicultura, que tem no Rio Grande do Sul um dos principais polos produtores. A produção de azeite de oliva é uma atividade ainda recente, mas muito promissora no Brasil e reflete as imensas possibilidades da nossa terra.

Em quase 20 anos de jornalismo rural, me considero privilegiada por ser testemunha e, de certa forma, também agente de toda essa revolução vivida no agro brasileiro. São muitos momentos importantes e transformadores que pude traduzir em palavras por meio do meu trabalho. Minha admiração vai, sobretudo, aos produtores que geram alimentos sob os preceitos da sustentabilidade. E um “parabéns” especial às mulheres que estão ajudando a transformar o campo encarando preconceitos, quebrando padrões e construindo uma nova realidade em que, tenho certeza, o protagonismo feminino só vai crescer.

É uma alegria escrever nesse espaço e poder dividir um pouco da minha trajetória com mulheres tão especiais. Agradeço o convite feito pela Andrea Cordeiro, a quem tive a oportunidade de conhecer em uma entrevista sobre o seu belo trabalho como uma das autoras do livro Mulheres do Agro.

 


Denise Saueressig

Jornalista, mestre em agronegócios e repórter das revistas A Granja e AG/Editora Centaurus

@denisesaueressig
@agranjaeag

 

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