26 de outubro de 2020

Eleições nos Estados Unidos & Guerra Comercial & Agro do Brasil

Com a proximidade das eleições nos EUA, a campanha que está a mil, escalou temperaturas altas durante esse final de semana prolongado pelo feriado do Dia do Trabalho.

Donald Trump através de sua rede social resgatou em tom duro, discurso de segregação comercial entre os 2 mercados, o que pode colocar em xeque as tratativas comerciais entre EUA e China.

A vitória do Trump em 2016 marcou a retomada do partido republicano ao governo e em parte, foi conquistada com votos de eleitores conservadores com ideais nacionalistas, que defendiam a retomada de empregos a base de uma indústria nacional mais forte, inclusive a armamentista.
Esse é o público mais tradicional das pequenas cidades e na sua maioria com foco na agricultura e pecuária. Pela lógica, representa afirmar que na ausência dos eleitores democratas, que não compareceram em peso às urnas, o agro definiu a eleição de Trump.

O discurso nacionalista do então candidato era reagente ao sentimento nacionalista do norte americano, mas saindo da esfera virtual, na prática era algo difícil a ser conduzido.

Em meio a tantas promessas algumas se destacaram:

A construção do muro;

O combate intenso a imigrantes ilegais;

O endurecimento das regras para concessão de vistos novos;

A busca por equilíbrio comercial não só com China, mas com México, Canadá e Europa para fortalecer indústria nacional e gerar empregos para os norte-americanos.

Quando eleito, foi justamente esse o ponto de estresse do governo. Equalizar o discurso do déficit entre transações comerciais e colocá-lo em prática tornou-se um grande desafio.

Trump abriu várias “frentes de trabalho” simultaneamente e enfrentou os famosos shutdowns, prova real da pressão da oposição a sua gestão. E meio como se estivesse em um jogo de pôquer, engrossou o tom da briga com China acreditando que ali seria mais uma disputa fácil, só que acabou percebendo que suas ameaças não surtiam efeito, pelo contrário e que suas falas passaram a não produzir mais os mesmos efeitos “altistas” nos mercados financeiros.

A China quietinha, mas reagente, comprou a briga que por sinal se arrasta até os dias hoje, mesmo com as recentes compras de soja.

Aqui novamente reforço minha análise sobre demanda. Quem me acompanha sabe que desde o início do ano eu venho falando que China compraria tudo que poderia comprar do Brasil, uma vez que Argentina era carta fora do baralho e que os chineses teriam que ir em alguma momento comprar soja dos EUA para fazer a ponte de transição até a entrada da safra nova brasileira em fevereiro.
Em meio as tensões da guerra comercial, Trump não deixou de receber apoio de sua base e até conseguiu surfar na onda da aceleração da economia, decorrência direta da tributação imposta à China.

Vários programas de incentivo aos produtores rurais foram disponibilizados para ajudá-los a minimizar os prejuízos pela falta de demanda chinesa e por problemas climáticos. E essas ações conferem a fidelidade da sua base eleitoral.

No entanto, o que infelizmente ninguém contava, é que uma pandemia varresse os números da economia mundial e dirigisse os EUA para uma zona de recessão. Não fosse a pandemia, Trump possivelmente estaria reeleito.

Assim como ocorreu em 2016, Trump hoje se depara com um crescimento de votos do candidato da oposição e isso pode ser determinante para adotar a estratégia do tudo ou nada.

E nesse caminho fica cada vez mais fácil perceber que adotar medidas estratégicas para reacender o discurso nacionalistada população pode ser uma saída para definir as eleições.

Nada mais factível nesse momento que voltarem os discursos sobre empresas norte americanas voltarem aos EUA, as ameaças de indenização por conta do covid19, as falas sobre os EUA não terem nada a perder com a China. Em paralelo as sucessivas e provocativas manobras militares ao sul do mar da China.

Não há dúvidas que faltando menos de 60 dias Trump usará TODAS as armas que puder para não entrar, a exemplo de seu colega republicano George Busch Pai, para a história política do país como o presidente republicano não reeleito. Todos os 3 últimos presidentes se reelegeram. Barack Obama, George W Busch Filho e Bill Clinton.

E se assim acontecer e os EUA decidirem flexibilizar com China, as tratativas para o acordo comercial das fases 2 e 3 serão abortadas e o acordo firmado da fase 1 irá por terra abaixo.

Isso em um primeiro momento aumentará acompetitividade do agro brasileiro. Carnes ainda em 2020 e soja para 2021 e 2022, razão pela qual o Brasil está tão atento a disputa eleitoral.

Mas nem tudo são flores, e precisamos ter cautelosos pois há muitos interesses em jogo. Em um próximo texto vamos falar sobre os desafios do agro brasileiro no caso de vitória de Trump e de Biden.

Um abraço,

 

 

 

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