23 de novembro de 2020

Eleições nos Estados Unidos & Guerra Comercial & Agro do Brasil – Revista Agro SA

Quando eleito, foi justamente esse o ponto de estresse do governo. Equalizar o discurso do déficit entre transações comerciais e colocá-lo em prática tornou-se um grande desafio.

Trump abriu várias “frentes de trabalho” simultaneamente e enfrentou os famosos shutdows, prova real da pressão da oposição à sua gestão. E meio como se estivesse em um jogo de pôquer, engrossou o tom da briga com a China acreditando que ali seria mais uma disputa fácil, só que acabou percebendo que suas ameaças não surtiam efeito, pelo contrário, e que suas falas passaram a não produzir mais os mesmos efeitos “altistas” nos mercados financeiros.

A China quietinha, mas reagente, comprou a briga que por sinal se arrasta até os dias de hoje, mesmo com as recentes compras de soja.

Aqui, novamente, reforço minha análise sobre demanda. Quem me acompanha nas redes sociais sabe que, desde o início do ano, venho falando que China compraria tudo que poderia comprar do Brasil, uma vez que Argentina era carta fora do baralho, pela questão tributária e política, e que os chineses precisariam ir em algum momento comprar soja nos EUA justamente para fazer a ponte de transição até a entrada da safra nova brasileira em fevereiro, afinal a comercialização da soja brasileira da safra de 2020 está beirando a totalidade com alguns compromissos de tradings inclusive sendo repactuados para poder abastecer o mercado interno.
Em meio às tensões da guerra comercial, Trump não deixou de receber apoio de sua base a até conseguiu surfar na onda da aceleração da economia, decorrência direta da tributação imposta à China.

Vários programas de incentivo aos produtores rurais foram disponibilizados para ajudá-los a minimizar os prejuízos pela falta de demanda chinesa e por problemas climáticos. E essas ações conferem a fidelidade da sua base eleitoral.

No entanto, o que infelizmente ninguém contava, é que uma pandemia varresse os números da economia mundial e dirigisse os EUA para uma zona de recessão. Não fosse a pandemia, Trump possivelmente estaria reeleito.

Assim como ocorreu em 2016, Trump hoje se depara com um crescimento de votos do candidato da oposição e isso pode ser determinante para adotar a estratégia do tudo ou nada.

E nesse caminho fica cada vez mais fácil perceber que adotar medidas estratégicas para reacender o discurso nacionalista da população pode ser uma saída para definir as eleições.

Nada mais factível nesse momento que voltarem os discursos sobre empresas norte-americanas que voltarem aos EUA, as ameaças de indenização por conta da covid-19, as falas sobre os EUA não terem nada a perder com a China. Em paralelo as sucessivas e provocativas manobras militares ao sul do mar da China.

Não há dúvidas que faltando aproximadamente 45 dias Trump usará TODAS as armas que puder para não entrar, a exemplo de seu colega republicano George Bush pai, para a história política do país como o presidente republicano não reeleito. Todos os últimos e presidentes se reelegeram. Barack Obama, George W. Bush Filho e Bill Clinton.

E, se assim acontecer e os EUA decidirem engrossar com China, as tratativas para o acordo comercial das fases 2 e 3 podem ser abortadas e o acordo comercial da fase 1 irá por terra abaixo. Isso em um primeiro momento aumentaria ainda mais a competitividade do agro brasileiro. Mais exportação de carnes ainda em 2020 e 2021 e soja para 2022, razão pela qual o Brasil estará atento à disputa eleitoral.

Mas nem tudo são flores, e precisamos ser cautelosos pois há muitos interesses em jogo. A política de Trump favorece um dólar mais valorizado, o que melhora a performance exportadora do Brasil, no entanto, em seu segundo mandato, Trump poderia pressionar ainda mais o Brasil para garantir quedas tarifárias como no caso do etanol, sem dar nenhuma ou quase nada de contrapartida, como no caso do açúcar. Além disso, pode influenciar a tomada de decisão brasileira sobre a tecnologia 5G. No caso de Biden vencer, a relação entre EUA e Brasil poderia em um primeiro momento ficar distante. Embora os países tenham uma história de parceria, circularam algumas declarações sobre o posicionamento do presidente Bolsonaro a respeito das eleições. Embora o Brasil não deva “interferir” no processo de eleição, em um país com ideais e pilares democráticos, é visível ao mundo inteiro a aproximação entre seus presidentes. No entanto, com a política de Biden mais multilateralista, o Brasil poderia ser beneficiado com uma maior circulação de dinheiro em países emergente e possivelmente prejudicado na competitividade junto ao mercado chinês. A aposta do mercado é que China teria condições mais equilibradas de debater termos do acordo entre os dois países já nos primeiros 3 a 6 meses de governo.

Em meu próximo texto, em dezembro, as eleições já estarão definidas e a partir daí do candidato eleito, analisaremos melhor quais são as possibilidades, oportunidades e desafios para o agro brasileiro.

Um forte abraço,

Andrea Cordeiro
Empresária formada em Direito e pós-graduanda em Agronegócios pela ESALQ/US. Consultora em Commodities Agrícolas com expertise em comercialização e hedge. Colunista independente em mídias agro. Agro-influenciadora. Integrante da Liga do Agro.

Fonte: Revista Rainhas do Agro

 

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