23 de outubro de 2020

História do início do Movimento Agroligadas

Eu sou a Geni Schenkel  fisioterapeuta a 13 anos atuante até 2018, sou esposa de produtor rural e tenho 3 filhos.

Em 2017 meu marido assumiu a presidência da AMPA, associação mato-grossense dos  produtores de algodão e fomos morar em Cuiabá com a intenção de permanecermos com a família unida.

A partir daí comecei a estar mais dentro da associação, onde o contato com as mulheres, esposas e colaboradoras se intensificou. Em todas as reuniões de diretoria é comum as esposas acompanharem seus maridos e ao final do dia sempre tem um jantar com todos da família e em um desses jantares, nós mulheres, as esposas, começamos a questionar sobre as fakes News do agro que estavam rolando na época muito intensamente e sobre a votação do PL dos defensivos agrícolas. Naquela noite percebi que precisávamos de conteúdo, todas nós nos sentíamos perdidas em relação a algumas partes referentes a PL dos defensivos agrícolas e sobre a regulamentação dos mesmos. Ficou claro que nem nós mesmas, produtoras rurais, gestoras de suas propriedades, ou seja, de dentro do agro não tínhamos informações corretas sobre nada, oque sabíamos era oque chegava aos ouvidos ou oque pesquisávamos online, e as críticas que nós mesmas sofríamos estavam nos deixando sem argumento.

Não parava de pensar nisso, conversava com Alexandre o tempo todo para me ajudar a organizar algo para nós mulheres. E como sempre é uma correria a vida, isso ia ficando de lado. Até que numa dessas viagens que ele precisava fazer acompanhamos ele, eu e as crianças e surgiu então uma oportunidade de conversar mais sobre esse assunto, porque decidimos ir de carro e a distância do nosso destino era razoável, dava para conversar sobre muita coisa na estrada. Estávamos indo para Luís Eduardo Magalhães-BA, num jantar de final de safra da ABAPA-Associação dos produtores de algodão da Bahia.

Foi então que dessa viagem surgiu o primeiro encontro das Agroligadas, com organização de palestrantes e data marcada. Fiquei muito empolgada com tudo e dei o meu melhor para que esse encontro pudesse colaborar com nosso engajamento e nos direcionar para alcançar soluções práticas para o que estávamos enxergando de errado. Alexandre conseguiu pessoas referencias nos temas que gostaríamos de discutir e esclarecer e eu organizei as mulheres, o local e a estrutura desse evento.

Assim dia 23 de agosto de 2018 aconteceu o primeiro encontro das Agroligadas, onde eu planejava  receber 20 mulheres e recebi 40, todas a procura da verdade sobre o agro, foi um bate papo muito interessante e cheio de questionamentos, sobre os defensivos agrícolas com as meninas da ANDEF- Associação Nacional da Defesa Agrícola,  sobre o PL dos defensivos com a Elaine Silva ,engenheira Agrônoma e atuante na área regulatória e sobre os Mitos e Verdades dos pesticidas no Brasil com a Danielle Arouche, coordenadora de comunicação da IPA- Instituto Pensar Agro,  e aprendemos muito,  saímos de lá, todas com a sensação de que precisávamos e podíamos  fazer mais pelo agro.

Recebi muitos feedbacks legais, algumas mulheres me falaram que até a conversa em casa com o marido e os filhos atuantes nas propriedades estava melhor, que agora tinham conteúdo e estavam mandando bem.

Criamos um grupo de whatssapp das agroligadas, primeiro para todas terem informações sobre o evento e depois para discutirmos sobre os assuntos e unir mais ainda as mulheres do agro do MT. Esse grupo começou com essas 40 mulheres em agosto e em novembro já tínhamos passado 100 mulheres e elas insistiam em pedir para organizar mais reuniões como aquela.

Passei a conversar muito com a Elaine uma das palestrantes do primeiro encontro, me tornei amiga dela e compartilhávamos da mesma vontade, ela já havia iniciado algo parecido em SP, timidamente também, em seu condomínio, na escola da sua filha e começamos a compartilhar e planejar algumas ações com esse grupo de mulheres com longas conversas e mensagens.

Ficamos tão empolgadas que nos organizamos para ir ao Congresso Nacional das Mulheres do Agro em SP, que já havia participado no ano anterior e achei incrível e que naquele ano de 2018 era sua terceira edição, eu e Elaine conseguimos patrocínio para algumas camisetas com o nome agroligadas estampado na frente, combinamos de usar em um dos dias lá no congresso. Quase 30 mulheres uniformizadas e unidas já como agroligadas. Foi lindo!

Em novembro, organizei mais um encontro a pedido delas, que aconteceu o dia todo das 9h as 16h, no auditório do Edifício Cloves Vetoratto, sede de algumas das associações do agro. A intenção era tentar organizar da melhor forma o grupo que estava crescendo rapidamente. Pensamos para esse encontro, procurar saber oque já estava sendo feito no estado e aprender sobre comunicação e educação, afinal já pensávamos em ações com crianças e a sociedade. As palestrantes foram a Claúdia Luz – Gestora do Núcleo de comunicação e Marketing da FAMATO,  Márcia Naves do ISVOR- Comunidade corporativa  FCA Latam de Belo Horizonte, as meninas que são membros da comissão da família do Grupo Bom Futuro com cases de sucesso por lá e a Silmara Ferraresi – assessora da presidência ABRAPA.

Foi show também, mas o encontro terminou e não tinha certeza do que poderíamos conseguir, nada ficou claro pra mim apesar do apoio de todas não senti firmeza em continuar dali pra frente. As mulheres estavam empolgadas mas não tinham tempo para tudo aquilo.

Após esse segundo encontro em novembro de 2018, criei um Instagram, para divulgar o primeiro e segundo encontro, postar algumas fotos e tentar divulgar algumas informações corretas que havíamos aprendido.  Poucas mulheres do MT seguiam a pagina, os grupos de mulheres de todo Brasil começaram a mandar mensagens perguntando oque e quem eram as agroligadas e comecei então a conversar com elas, contei meus objetivos e elas me contavam os seus, como eram suas experiências, oque faziam, oque queriam, como pensavam e assim foi aumentando uma comunidade dentro do Instagram de mulheres do agro, me tornei amiga de muitas, no online mesmo, comecei a ter seguidoras que queriam ajudar. Quando contava qual era o objetivo a maioria se encantava. Recebi alguns convites para participar de encontros de mulheres do agro em Cuiabá, através do Instagram que foi uma rede de muito network para mim..

Chegou dezembro e aquelas mulheres no grupo estavam me enlouquecendo pois queriam saber oque íamos ser e oque íamos fazer. Naquele momento nem eu sabia, ainda trabalhava como fisioterapeuta  e tinha que dar conta das crianças praticamente sozinha numa cidade grande porque Alexandre quase não parava e quase não sobrava tempo para pensar em como prosseguir com tudo aquilo. Mas sentia que precisava e que tinha que ser eu a puxar o barco. Veio as férias, as crianças sem aula e eu sem conseguir trabalhar, me afastei do trabalho e naquele instante pairava sobre mim uma decisão que precisava ser tomada a algum tempo, abandonar ou não a profissão??

Decidi iniciar o ano abandonando minha profissão de formação, não pelas agroligadas mas por não estar dando conta de cumprir meu papel como mãe. Decisão difícil para mim mas necessária diante de tudo que estávamos vivendo e precisava manter minha família unida.

Chegou janeiro, fevereiro de 2019, e o grupo de whatssapp e o Instagram vinham crescendo e junto a pressão da mulherada em saber oque viraria as Agroligadas.

Existiam muitas ideias, minha e das outras mulheres também, mas me sentia sozinha e não conseguia sair do lugar. Poucas mulheres me procuraram e nenhuma se comprometia de verdade comigo. Dei uma desanimada e pensava o tempo todo que sozinha eu até conseguiria fazer algo mais que a união daquelas mulheres seria fundamental para que disseminássemos para o estado todo as verdades do agro.

Com os contatos da Elaine em Brasília e em SP nos tornamos conhecidas entre algumas instituições do agro e algumas multinacionais. Com a ajuda do Alexandre, meu marido também, uma vez que ele também tem uma rede de contatos no meio. Conheci o pessoal do Agrosaber que ainda estavam em fase de lançamento do canal e me ajudaram muito, o Giusti  responsável pela criação do Agrosaber nos orientou, eu e Elaine, a fazer uma consultoria de negócios para ter clareza no que éramos.

Orientada pela Elaine convidei algumas mulheres para uma reunião, para tentar definir quem gostaria de entrar nessa comigo. Chamei individualmente cada uma para estar lá aquele dia, sabia que todas que havia chamado poderia seguir junto a mim nesse projeto.  Compareceram 22 mulheres e era pra ser uma reunião de estruturação do movimento onde  definiríamos uma ação que para mim era clara, um dia de campo para crianças, mas a reunião não deu em nada e mal consegui contar pra elas oque planejava, foi um alvoroço aquela reunião, todas falando ao mesmo tempo, algumas contra as minhas ideias e saí de lá arrasada. Cheguei em casa e disse para o Alexandre, acho que vou deixar pra lá as Agroligadas, não vai acontecer, muita mulher, muita ideia, cada uma quer uma coisa, não acharam relevante oque propus, na verdade mal consegui falar, e esse ano decidi me dedicar mais as crianças e a mim mesmo.

Mas naquela noite meu celular não parou, recebi muitas mensagens de algumas daquelas mulheres presentes, para que eu continuasse, que elas estavam comigo e que apesar da reunião não ter acontecido como planejava, era para acreditar na minha ideia porque fazia sentido e era apaixonante. Algumas delas se comprometeram a estar junto a mim.

Acordei super animada no outro dia, falei com a Elaine e ela pediu para rascunhar os nomes e ligar para cada uma marcando assim uma reunião com uma primeira comissão.

Liguei uma a uma e 15 mulheres aceitaram o convite e iniciaram junto a mim o movimento agroligadas. Elaboramos nosso primeiro projeto, de patrocínio para uma consultoria de negócios afim de nos organizarmos melhor e entendermos qual seria nosso principal papel diante das mulheres e da sociedade.

Conseguimos o patrocínio e fizemos a consultoria, acreditaram nesse movimento desde de quando nem nós sabíamos oque ele era direito e tudo que acontecia nos mostrava o tempo todo que estávamos no caminho certo. Conseguimos definir nosso propósito, nossa missão, redesenhamos nossa logomarca, definimos governança, produzimos produtos, aumentamos nossa rede de contatos no agro e realizamos duas ações grandiosas no ano de 2019.

O Primeiro dia de Campo Agroligadas – Ligando o Campo a Cidade, onde atendemos 106 alunos do nono ano do ensino fundamental e professores de três escolas. O Workshop Agroligadas – Capacitar para Transformar, com a participação de 150 mulheres do estado que teve o objetivo de apresentar a estruturação do movimento e melhorar a nossa comunicação.

Ambos eventos de sucesso total, conseguimos apoio de todas as instituições do agro do estado e de algumas multinacionais e por onde passamos no ano de 2019 fomos muito bem recebidas e  sentíamos a todo instante que todos ansiavam por isso.

O ano de 2020 começou com 400 mulheres cadastradas no movimento agroligadas e foi planejado com algumas idealizações e muitas ações, mas diante a essa pandemia tivemos que reestruturar tudo. Organizaríamos alguns eventos presenciais e estaríamos concretizando o sonho de implantar núcleos locais em algumas cidades do estado e fora dele também.

Hoje temos mais de 500 agroligadas cadastradas, todas com ligação direta ou indireta com o agro, unidas a nosso propósito de transformar e unir a sociedade rural e urbana em uma só.

Alguns projetos estão sendo tocados mesmo assim, um deles é  o programa agroligadas todas as terças-feiras das 12h as 13h, na rádio metrópole FM em Cuiabá que tem o objetivo de conectar o campo e cidade levando informações corretas e atuais do setor com uma linguagem acessível a todos, iniciou o ano a todo vapor e continua na ativa numa versão online.

Os núcleos locais estão sendo melhor organizados através de reuniões online com as mulheres interessadas, com um planejamento de ações presenciais para 2021 e com a participação dessas mulheres produzindo conteúdos para as redes delas e as nossas, melhoramos a comunicação do agro para o agro e do agro para fora.

Algumas parcerias e participações em eventos online que envolve a mulheres do agro e em discussões que se referem a comunicação do agro.

Aumentamos nosso engajamento nas redes sociais produzindo um conteúdo agro com uma linguagem simples e fácil de entender, nos tornamos mais presentes nelas, individualmente e no Movimento.

Duas integrantes da nossa diretoria foram convidadas para serem embaixadoras do prêmio mulheres do agro, promovido pela ABAG e Bayer, onde a premiação acontece em outubro no Congresso Nacional das Mulheres do Agro que este ano ganhou uma versão online também.  A Geni Schenkel, atual presidente do movimento agroligadas e a Dulce Chiochetta, responsável pela frente de educação.

Prezamos sempre por seguir nosso propósito, se faz sentido para todas nós estamos dentro e acreditamos que caminhando assim nos manteremos cada vez mais unidas.

 

 Instagram Agroligadas

 

Portal Agroligadas

 

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