24 de fevereiro de 2021

Mercado da soja surpreende no apagar das luzes de 2020

A combinação clima irregular e greve portuária na Argentina foi determinante para que alguns investidores e especuladores mundiais, desconfortáveis em aliviarem posições compradas ainda em uma fase de tamanha indefinição, promovessem ainda mais compras

por Andrea Cordeiro com exclusividade para Canal Rural

Reta final de 2020 e quem diria que exatamente na última semana do ano os preços da oleaginosa na bolsa de Chicago se aproximariam dos US$ 13,00 observados pela última vez em 2014.

Fundos de investimentos mundialmente comprados que já vinham há meses apostando em estoques norte-americanos apertados, deixaram o mercado mais vulnerável a variações por questões fundamentais vindas da América do Sul. A combinação clima irregular e greve portuária na Argentina foi determinante para que alguns investidores e especuladores mundiais, desconfortáveis em aliviarem posições compradas ainda em uma fase de tamanha indefinição, promovessem ainda mais compras.

Os últimos pregões do ano vêm registrando uma variação considerável de preços, refletindo o nervosismo dos participantes que atuam na bolsa. Diversas casas de investimentos vêm realizando lucros nos últimos dias e esses movimentos são especialmente mais intensos nessa época do ano, afinal estamos no apagar das luzes do segundo semestre. *

Voltando ao cenário macro, no curto prazo uma mudança no padrão climático no Brasil, Argentina e o restabelecimento das atividades portuárias na Argentina são fatores de arrefecimento para as cotações e que precisam ser acompanhados mais atentamente. Estes são dois importantes direcionadores de preços para a oleaginosa. Os olhos do mercado estão atentos ao que se passa aqui.

Não há espaço para encolhimento na oferta mundial de soja e é aqui no Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai que a safra está sendo produzida. Qualquer adversidade será processada, sentida, especulada. Seca ou Chuva. Ferrugem, pragas, atrasos, greves, Covid, enfim…

No médio prazo o radar dos fundos continuará concentrado no clima da América do Sul e no percentual de comercialização e ritmo de embarque brasileiro sem deixar de monitorar a demanda chinesa. Nesse ponto, vale destacar que o presidente eleito nos Estados Unidos tomará posse em 20 de janeiro e quase um mês depois o mercado agro já estará focado nos trabalhos da 97ª edição do Agricultural Outlook Fórum, promovido pelo USDA. Nos trabalhos do tradicional evento se projeta área de plantio da próxima temporada norte americana. Com essa prévia o mercado já está começar a contextualizar mais sobre a próxima safra norte-americana novamente e neste momento de mercado com um cenário de estoques apertados nos Estados Unidos podemos presenciar esta transição de mercado antes do usual.

Certamente alguns questionamentos serão sobre a intenção de plantio após um ano de vendas aceleradas e estoques baixos e sobre a viabilidade de resgate ou aporte em áreas de conservação. A chave para tais perguntas encontrará respostas na definição das safras na América do Sul e no ritmo da demanda asiática. Vale prestar atenção no tom diplomático dos primeiros 90 dias de governo democrata de Biden. E tudo isso acontecerá na exata medida que as safras brasileira e argentina ainda estiverem sendo colhidas, processadas e embarcadas.

Por agora vamos focar no curto prazo:

Irregularidades climáticas para a Argentina estão mantidas para os próximos 10 dias. Embora os modelos climáticos estejam divergindo, nas últimas 24 horas o modelo norte-americano intensificou e ampliou as chuvas para Brasil e Paraguai, mas para Argentina e Uruguai os mapas continuam mostrando chuvas deficitárias para as áreas de produção.

Sobre a greve portuária da Argentina que em 20 dias de paralização refletiu em um atraso de aproximadamente 170 navios ao largo esperando para serem carregados, um acordo entre indústrias e sindicatos foi anunciado pela mídia e as atividades devem ser retomadas. Vamos monitorar.

Aproveito para desejar a todos vocês que leem minha coluna aqui no Canal Rural um final de ano de muita reflexão e que levemos para 2021 apenas uma versão melhorada de nós mesmos e que seja justamente ela que nos permita edificar os projetos que tanto queremos.

Que 2021 seja para cada um de nós um ano de sucesso, conquistas, aprendizados, fartura e de bons negócios.

Um forte abraço,

* Muitos destes fundos de investimento participam de múltiplos mercados ao mesmo tempo e é como se não tivessem qualquer selo, como se não tivesse identidade, DNA. Eles não são do agro, mas estão conectados ao agro pelo interesse em lucros. Não são produtores, indústria, tradings, cooperativas, cerealistas, revendas, instituições que fomentam o agro ou seguradoras que buscam proteção de suas posições – hedge. Eles buscam meramente fazer dinheiro; em contrapartida oferecem liquidez e nesta ciranda, sem dó, nem piedade promovem quando bem entendem e querem ajustes em carteiras e embora eu tenha pontuado no texto que os movimentos de lucro são ser normais, isso não significa que algumas vezes não sejam bruscos e que assustem seus participantes.

Fonte: Canal Rural – Agroinspiradoras

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