14 de outubro de 2019

Plantio nos Estados Unidos

Como dose extra de preocupação aos produtores norte-americanos, as chuvas voltam ao meio oeste dos Estados Unidos, após uma curta trégua.

Passado um inverno rigoroso e que ainda insiste em revisitar os Estados Unidos e Canadá – No último final de semana nevou em Alberta, Canadá e as temperaturas baixaram bruscamente no norte do cinturão – as chuvas torrenciais tem atormentado o sono dos produtores daquele país.

Não que o sono dos produtores estivesse em dia. Não mesmo, pois há 15 meses as famílias produtoras naquele país convivem em meio a uma ciranda de emoções que se desdobram entre euforia, nervosismo e por vezes até desespero pela sequência da Guerra Comercial com a China.

Trump percebeu no meio do caminho que o assunto rende popularidade. Que sua base eleitoral ainda sim, mesmo com tanta confusão e sentindo os efeitos da briga no bolso, o apoia. Inacreditável tamanha popularidade, né?

As famílias produtoras seguem esperançosas e aguardam as tratativas redirecionarem os preços do grão para a área de US$ 9,50 a 10,00 bushel, valor esse que a soja cotava na véspera da briga com a China.

Escrevendo aqui me recordo da história do bode na sala.

A família de recursos medianos com alguns filhos e a sogra, dividindo um espaço pequeno e precário ouve o mestre da vila que os aconselha a colocar um bode na sala para solucionar seus problemas.  Creio que todos aqui conhecem a história: o bode entrou e transformou por umas semanas a vida daquela família um inferno. A casa fedia, os familiares se engalfinhavam a ponto de quase partirem para a violência física. Eis que um dia o mestre volta e a família desesperada pede ao mestre uma solução, pois seus problemas pioraram e ele mais que rapidamente manda tirar o bode da casa. A família tira o bode, limpa a casa e passa a conviver em maior harmonia, como se os problemas anteriores ao bode sequer existissem e pelo simples fato de tudo estar melhor a  mágica foi feita!

Muito provavelmente Trump acreditou que negociar com a China seria um jogo fácil e percebeu que estava errado e passou a usar isso a seu favor. Com perfil apostador, passou a usar a mídia para conduzir as negociações, mas em meio às tratativas se deparou com uma postura chinesa tradicional, muito mais conservadora do que talvez tenha inicialmente julgado.

A China, a maior detentora de títulos da dívida pública dos Estados Unidos, vem jogando um jogo orquestrado, compassado o que torna cansativo o trabalho de Trump. China entre medidas e discursos de “bate e afaga” em paralelo busca parceiros novos para seus produtos. No agro o país busca soja do Brasil e Argentina e abriu as portas para as carnes do Brasil.  e está sendo assim com outros países, buscando estreitar laços comerciais.

E nessa estratégia o país asiático segue fazendo carinha de jogador de pôquer, empurrando com a barriga alguns pontos das questões fiscais e empresarias como que se estivesse esperando o período eleitoral nos Estados Unidos.

Aí a China poderia estar se perguntando: Se um candidato democrata se destacar, pra que firmar um acordo por agora? Os democratas são contra a maioria das medidas adotadas por Trump, especialmente nas questões fiscais e protecionistas.

Trump que foi conduzido ao descredito em alguns momentos, não teve saída. Passou a usar essa taxação  como ferramenta pré campanha. Em sua rede social, em entrevistas, em eventos públicos, ele afirma que os Estados Unidos estão ganhando a Guerra com ou sem acordo. Que China já está pagando há meses uma montanha de impostos e gerando empregos e riqueza nos Estados Unidos. É nessa linha que ele trabalha sua recandidatura e é nessa linha que o produtor norte americano está apostando.

Relembrando que esse é o mesmo produtor que vendeu pouco, que está com armazéns lotados, assumiu custos extras de estocagem devido aos altos estoques, contratou dívida em banco e vive dias intensos repleto de emoções polarizadas entre o vai e vem da guerra.

A cereja do bolo nesse nervosismo todo é a preocupação extra de não ter conseguido plantar totalmente a área que programou para milho e agora está assustado com o retorno das chuvas a partir do dia 15 de junho, que poderia atrasar ainda mais os trabalhos com a soja.

Nos próximos 7 dias os mapas mostram bons acumulados de chuvas para grande parte do meio oeste. Estão previstos acumulados entre 75 a 125 mm para parte de Texas, Oklahoma, Kansas, Louisiania, Arkansas, Missouri, Mississippi, Tennessee e Kentucky, Illinois, Indiana e Ohio. Chuvas entre 50 a 75 mm para Iowa, Minesota e Dakota do Norte e entre 30 a 40 mm para Wisconsin, Michigan e Dakota do Sul.

As chuvas acumuladas nas últimas semanas e as que estão previstas até final de junho influenciam em preços mais firmes na bolsa em Chicago. Solo úmido e temperaturas mais baixas que as normais no centro e leste do cinturão devem continuar servindo de ferramenta para os fundos de investimentos desmontarem posições vendidas e com isso temos volatilidade à vista! Ainda mais sem novidades sobre China e México, eles, os fundos devem monitorar cada janela de atualização dos modelos climáticos.

Vale o destaque que muitos fundos perderam dinheiro nas ultimas semanas tendo que estopar posições vendidas.

Dia 10 o USDA – Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulgou que 60 % da área de soja estava semeada, correspondendo a avanço de 21 pp na semana. Nessa época em 2018 os produtores já tinham semeado 92% da área. A janela ideal para o plantio da soja encerra em 15 dias.

Já o plantio de milho totalizava 83% da área, contra os 99% da mesma época do ano passado. A janela ideal para o plantio do cereal fechou no final de maio.

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