24 de março de 2019

Pós Natal com feitos de uma Guerra Comercial

Em novo passo, desde o acordo estabelecido entre China e Estados Unidos durante encontro do G20,  a China anunciou dia 24 de dezembro outra rodada de ajustes nas tarifas de importação e exportação a partir de 1 de janeiro de 2019.

Na lista de produtos que terão tarifas revisadas ( zeradas ou minimizadas) estão a de importação de farelo de soja, farelo de canola, farelo de algodão, farelo de girassol, farelo de palma,  material farmaceutico e motores das aeronaves. Na ponta exportadora a China isentará de tarifas 94 produtos, que vão desde fertilizantes, minério de ferro, carvão, madeira.

A decisão de revisar tributação foi anunciada após divulgação do crescimento econômico do pais reduzir para 6,5% ao ano no terceiro trimestre de 2018. Essa é a pior performance desde o inicio da Guerra Comercial com os Estados Unidos.

Se numa Guerra todos perdem, inclusive países que não estão envolvidos diretamente no impasse, image só o quanto perdem esses 2 países que estão em disputa direta.

Por mais que Trump venha a público afirmar que China comprará Soja, numa clara tentativa de acalmar seus produtores, tente calcular o quanto perdem os Estados Unidos já que durante todo o mês de Novembro não embarcaram um único cargo de soja para China. Essa foi a pior performance de embarque dos Estados Unidos.

De acordo com o Departamento Alfandegário da China, as empresas chinesas direcionaram as compras com soja de origem brasileira – Foram 5.07 milhões de toneladas embarcadas via portos do Brasil, volume 80% superior ao registrado no mesmo período em 2017.

E apenas como complemento, durante as 3 primeiras semanas de Dezembro, o Brasil embarcou outros 3 milhões de grão e estima-se que o mês encerrará com pelo menos mais 700 mil toneladas embarcadas, podendo chegar a 1 milhão de toneladas.

Além da baixa performance de vendas, os Estados Unidos vem sentindo o peso da Guerra Comercial no desempenho das Bolsa que na semana que antecedeu o Natal, registrou forte baixa numa das piores performances desde 2008.

Na véspera de Natal, 3 dos principais índices dos Estados Unidos caíram fortemente  influenciados por comentários de discordância do Presidente Trump sobre a trajetória de alta nos juros estabelecida pelo FED – Banco Central dos Estados Unidos.

Com a desaceleração das exportações norte americanas e a piora econômica mundial,  Trump defende que o orgão precisa interromper a sequência de alta e deve promover cortes de juros mais agressivos para flexibilizar a economia norte americana.

Ao invés disso, o FED aumentou os juros pela quarta vez no ano em 0,,25% aa que passa a vigorar num intervalo entre 2,25 a 2,50% a ano.

Para piorar ainda os ânimos do mercado, Trump bem ao seu estilo e pelas redes sociais ameaçou demitir o presidente da Instituição, Jerome Powell.

Mas mesmo com todos esses anúncios que China vem fazendo, o mercado interpreta que falta “algo mais”. Que seria necessário um anúncio de compras de fato consistente para fazer os preços da soja subir.

Até agora, as compras de soja reportadas pela China ou USDA desapontam todo o setor Agro norte americano.

Anúncios de vendas nesse momento seriam importantes para sustentar os preços antes da entrada da safra sul-americana que em situação de normalidade climática deve pressionar ainda mais os preços da soja na Bolsa em Chicago.

Aqui um comentário pessoal. Anúncios de compras não significam obrigatoriamente compras. Se as tratativas ali adiante retrocederem, a China pode cancelar as compras a qualquer momento. São compras virtuais até serem embarcadas. E é nessa direção que China pode estar conduzindo sua estratégia.  Estar dosando compras em doses homeopáticas, inclusive de milho, trigo, carne de porco.

Talvez o país esteja abastecido mas essa postura de não anunciar uma grande compra parece fazer parte de uma estratégia maior afinal uma nova rodada de negociações entre representantes dos 2 governos está sendo costurada para janeiro e com isso China poderia melhorar as regras para o acordo.

Para essa última semana do ano, o mercado ainda alimenta a expectativa que China anuncie pelo menos a compra de mais 2 milhões de toneladas do grão, mas com o fechamento de órgãos do governo devido ao impasse orçamentário, é improvável que haja qualquer confirmação oficial de negócio.

E enquanto as vendas não são reportadas e o mercado se preocupa também com outros fatores externos, a soja caiu mais 13 centavos no pregão pós Natal! Como costumo dizer, um pregão com baixa liquidez como o de hoje e o dos próximos dias é também um pregão perigoso. Pode cair ou subir rapidamente com pouco volume e influenciado por fatores externos ao seus.

Enquanto a ressaca não passa, ficamos na expectativa e na torcida de novos anúncios!

Um abraço, Andrea Cordeiro

 

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