25 de agosto de 2019

Pré USDA – Cenários da Temporada 2019/2020 dos EUA

Para quem está com os 2 pés, o bolso e a alma encravados no mundo Agro ontem foi um dia relevante para o setor.

O USDA – Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulgou o último levantamento da temporada 2018/2019 antes de divulgar agora em maio, o primeiro da próxima temporada que inclusive já começou a ser plantada.

Dia 10 de maio, o órgão reportará as suas primeiras impressões sobre tamanho de área de plantio e de colheita, produtividade, projeção de consumo, exportação, importação e esmagamento, entre outros. Será o primeiro quadro do Supply Demand americano.

Três grandes questionamentos vêm sendo feitos para esse reporte:

  • *Qual será o estoque inicial do próximo ano? Essa pergunta temos viés de resposta. Muito provável que seja o número do estoque final divulgado ontem em 895 mi bu. Número do estoque final de um ano é o inicial da próxima temporada.
  • *Qual a projeção de exportação que o órgão vai trabalhar? Manterá um viés de encolhimento frente ao atual cenário de guerra comercial ou assumirá uma linha de entendimento comercial?
  • *E quais serão as estimativas de área de plantio e produtividade? Aqui a análise é mais complicada. Há poucas semanas – 29 de março, o órgão divulgou o Prospective Plantings – Intenção de Plantio – que eu costumo simpaticamente chamar de “acreagem“. E o resultado dessa divulgação foi uma ducha gelada no mercado.  Naquele dia os preços do milho na Bolsa de Chicago para o contrato vencimento maio cederam 17 cents/bu e os da soja com mesmo vencimento cederam outros 5 ½ cents/bu. De certa forma o relatório veio em linha com os trabalhos do Agricultural Forum Outlook no final de fevereiro quando os produtores preocupados com a falta de demanda chinesa para o grão norte americano já sinalizavam um recuo na área de soja. Só que o recuo da área da soja foi mais intenso que o “projetado” pelas maiorias dos analistas.  E mesmo assim os preços caíram.

Os produtores dos EUA vivenciam momentos difíceis.  Os baixos preços do grão na bolsa e os prêmios praticados no Golfo e em Portos do Pacífico Noroeste – PNW não liquidam preços rentáveis.

Eles, que acumulam perdas vultosas por terem vendido pouco da safra velha com preços superiores a US$ 10,00/bu e que foram pegos em abril de 2018 no contrapé da briga entre os dois países e durante o plantio crescente e acelerado de soja, caminham para uma nova temporada e já com máquinas entrando nos campos com prejuízos no bolso e com mais incertezas sobre o real avanço das tratativas entre EUA e China que visam dar um ponto final a batalha comercial estabelecida há exatos 13 meses.

Lembrando que Donald Trump foi eleito com apoio dos estados essencialmente agro e por contar com esse suporte acreditava teria a SOJA como poder de barganha nessa disputa com os chineses. E segundo dizem analistas norte-americanos acreditou que essa moeda garantiria uma China submissa e desesperada para um rápido acordo. Mas o que Trump esqueceu, ou não considerou que naquele momento era somente a Argentina que não tinha competividade para disputar mercado com eles. E o Brasil que tinha pouco produto comercializado surfou uma onda boa e longa.

Se ele julgava ser fácil “brigar” com China por práticas de comércio mais justas, hoje ele se vê pressionado por uma disputa árdua e enfrenta a base de seu eleitorado: os produtores rurais.

Trump embora garanta quase que diariamente através de redes sociais que um bom acordo para o setor rural está prestes a ser fechado, hoje não conta mais com a crença em peso dos produtores que não se sentem confortáveis com as incertezas para a nova temporada.

Conversando pessoalmente com produtores norte americanos de vários estados percebemos um grande desanimo frente a esse cenário.

Muito provavelmente a resposta para as dúvidas sobre o próximo relatório é que o USDA confirmará o recuo da área de plantio de soja em favorecimento do milho. Mas como será que o órgão que é o braço agro do governo se posicionará especialmente se o acordo não tiver sido firmado?

Como será que o USDA em meio a um cenário com fraca demanda (falta de compras da China), se posicionará sobre a produtividade do grão da próxima safra? Manterá a linha de produtividade alta das safras anteriores ?

Se ela estimar uma produtividade alta que é algo bem factível, o corte na área dos EUA será em parte compensado e os estoques finais ainda sim serão altos.

A chave de todas essas dúvidas está no desfecho do acordo comercial.

Se o acordo sair os produtores norte-americanos passarão imediatamente a surfar a onda que o Brasil surfou até então e que hoje os dividimos com nossos vizinhos Argentinos. Afinal plantarão menos área, o que será precificado na bolsa, terão prêmios mais valorizados,  garantia de volume no comércio chines e dai sim o cenário passaria a complicar para o produtor brasileiro que precisará estudar muito bem seu mercado para decidir qual área plantará no final do segundo semestre.

Por ora, o produtor de lá segue preocupado com a briga e também com o excesso de umidade no meio oeste. Foram impactados por um degelo intenso, chuvas e agora tem pela frente um sistema de chuvas fortes. 

Vamos aqui acompanhando em paralelo a evolução do plantio nos EUA que até domingo – 07 de abril totalizava 3% de área destinada ao milho.

 

 

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