21 de novembro de 2019

Acordo Comercial – Fase 1

E o que dizer dos preços da soja na bolsa de Chicago, minha gente?

É uma tal de sobe e desce que confunde até “gente grande”. Grandes fundos de investimento estão com posições liquidas vendidos na soja e em vários momentos dessa guerra comercial estão sendo surpreendidos com a inconstância do humor em meio a tantas informações confusas e por vezes polarizadas sobre a Guerra Comercial.

Já foram muitas fases, ora de euforia, ora depressiva, mas o viés fundamental baixista reverteu na virada de setembro e na primeira semana de outubro o contrato com vencimento novembro recuperou 33 centavos, redirecionado acima do suporte psicológico de US$ 9,00/ bushel e hoje encerrar mais firme ainda cotado a US$ 9,36/ bushel.

Alguns fundamentos que justificam essa retomada de preço vêm do Clima; as geadas que apareceram nos mapas para áreas ao norte do cinturão de produção do meio oeste dos Estados Unidos, chuvas excessivas para alguns estados que estão colhendo o grão, números altistas ( produtividade e estoques ) divulgados na quinta, dia 10, pelo USDA – Departamento de Agricultura dos Estados Unido em relatório mensal de oferta e demanda e o mais importante, reflexo da atual fase da guerra comercial é a retomada da demanda chinesa pelo grão norte americano.

Nas últimas duas semanas, as inspeções semanais de grãos, divulgadas sempre nas segundas-feiras e as vendas semanais, nas quintas, foram construtivas.

As inspeções representam o volume de produto de fato embarcado nos portos americanos e as vendas são anúncios de lotes negociados e que serão futuramente embarcados.  Simultaneamente nessa janela, o USDA – Departamento de Agricultura os Estados Unidos, reportou vendas avulsas para China e países desconhecidos que são chamadas de vendas extras.

Dia 02 foram 464 mil toneladas de soja, dia 03 outras 252 mil, dia 07, 198 mil e 240 mil toneladas para destinos desconhecidos e hoje, dia 10 mais 398 mil. Vale o destaque que Destinos Desconhecidos costumam ser processados como origem China.

Mesmo sendo inferior ao esperado por Trump, a demanda foi mais a mais consistente dos últimos meses e reforçaram a posição amistosa da China às vésperas das reuniões entre as delegações chinesas em norte americanas em Washington. Foi recado amistoso que China está engajada em chegar a um acordo.

Em paralelo, a entrada de dinheiro novo para a conta de alguns fundos de investimentos, favorecem ajustes em carteiras. Com o viés para novos cortes nos juros dos Estados Unidos esse dinheiro “novo” começa a circular em outros produtos como commodities.

Mas o que esperar daqui para frente para a commodities soja?

O radar dos fundos, aqueles que estão vendidos, acompanhará de pertinho algumas situações.

 

Condições climáticas nos EUA

Chuvas mais volumosas em estados que estão colhendo grão merecem atenção. Eventos de geada e neve estão concentrados ao norte do cornbelt. Esse é o maior temor do produtor local já que os trabalhos iniciais em campo, prejudicados pelas chuvas excessiva, foram concluídos fora da janela ideal, deixando parte importante das lavouras de soja expostas e vulneráveis as geadas precoces. Por isso vemos os produtores correndo literalmente contra o tempo e tentando armazenar todo o grão possível.

 

Pressão de Colheita Hemisfério Norte

Com soja da safra 2018/2019 ainda em armazém, os produtores caminham para colher a safra dessa temporada. Apesar das dúvidas sobre a área correta destinada ao plantio e a produtividade real de uma safra castigada por um vai e vem de adversidades climáticas (chuvas, alagamentos, temperaturas baixas, estiagem, temperaturas altas, chuvas excessivas novamente e por fim, geadas) é norma que com a aproximação da colheita, os preços pressionem. Esse movimento sazonal é considerado como pressão de colheita. Caso a guerra persista, e com isso o engessamento da demanda para exportação continue, a soja colhida deve desencadear excesso de ofertas no mercado doméstico que por si só não consegue absorver a demanda chinesa. Além disso a janela de colheita na China, a mesma no hemisfério norte, pode devido à queda no consumo por farelo de soja (peste suína) arrefecer o ímpeto por grandes quantidades de soja naquele país.

Porém caso um acordo parcial seja anunciado o produtor aliviaria parte de seus estoques em meio a uma demanda chinesa mais agressiva.


Condições climáticas na América do Sul

No Brasil as altas temperaturas e tempo seco em regiões produtoras ficam no radar também. Quando há poucas semanas estive nos EUA coordenando o Missão Mulheres do Agro da Labhoro, as perguntas mais repetidas ao nosso grupo, composto por 6 profissionais mulheres do agro foram: O Plantio no Brasil está atrasado? O Brasil vai deixar área sem plantar soja? E a Argentina?

Graças as redes sociais, o produtor norte americano acompanha já há alguns anos o que acontece aqui. Já era o tempo que as informações reais demoravam a sair dos campos ou dos quarteis generais das multinacionais, por isso as condições climáticas nesse momento desfavoráveis para o plantio da próxima safra no Brasil, Argentina e Paraguai serão acompanhadas de lupa pelo mercado norte americano.

 

Peste Suína Africana

Dia 10, a FAO – braço da ONU pra Alimentos e Agricultura atualizou a estatística de animais abatidos mundialmente. O crescente aumento dos casos preocupa pelo impacto na redução do consumo do farelo de soja. Essa é a razão que China vem reduzindo sua participação como compradora de grãos.  O USDA projeta que na temporada atual o volume de importação totalize 83 milhões de toneladas contra 94 registrados em 2018. Para a próxima temporada o órgão trabalha com a meta de 85 milhões, portanto um olho na demanda e outro nos números de casos da peste na Ásia.

http://www.fao.org/ag/againfo/programmes/en/empres/ASF/situation_update.html

 

Guerra Comercial EUA e China

Destaque negativo para os preços nos últimos 15 meses, a guerra é e continuará sendo extremamente relevante para a definição dos preços da soja e dos prêmios praticados nos países produtores da oleaginosa. Nos últimos dias, o mercado financeiro ventilou com maior intensidade possível acordo parcial, que foi confirmado hoje por agências interacionais de notícias após encontro de Trump e o vice primeiro ministro chinês, Liu He, na Casa Branca.

Segundo a mídia a fase 1 foi concluída com sucesso e novas rodadas estão previstas. Nos holofotes, o anúncio que nas próximas semanas China deve realizar comprar expressivas de até US$ 50 bi em produtos norte-americanos. Como efeito colateral taxações extras de 5 %, de 25 para 30 %, previstas para entrar em vigor para o montante de US$ 250 Bi em produtos de origem chinesas, serão adiadas. Alguns analistas ficaram tão confiantes que até antecipam a possível suspensão total dessa cota. Será?

De concreto e até esse momento, não há anúncios oficiais, apenas falas de Trump e do Ministro do Comercio da China.

Trump fez uma declaração celebrando o acordo da fase 1 mas observando que o acordo que será redigido nas próximas quatro semanas. Já o Ministro chinês declarou: “China e Estados Unidos alcançaram progressos significativos em várias áreas após uma nova rodada de consultas econômicas e comerciais de alto nível na quinta e sexta-feira”.

Passado o impacto desse acordo fase 1, o mercado especula agora sobre como o governo norte americano fará para aprovar com celeridade esse acordo em congresso e sobre quantas outras fases ainda existirão.

Durante os últimos dias Trump anunciou via rede social que um acordo estava próximo e que ele estava tomando medidas para que não precisasse passar pela aprovação de congresso nacional.

Aqui reforço que o tema AGRO na pauta dessa guerra é o mais acessível e desde maio desse ano já estava bastante avançado. O calcanhar de Aquiles dessa Guerra tem sido o tema propriedade intelectual e segredo industrial. Quem não lembra dos recados nacionalistas de Trump pra as empresas norte americanas abandonarem a China e voltarem a gerar riqueza aos país ou então do caso Huawei?

E quem não lembra também que em alguns momentos dessa guerra os dois países estavam bem evoluídos e de uma hora pra outra tudo mudou? Portanto vale ficarmos atentos, acompanhando os desdobramentos oficiais.

Um abraço,

 

 

Diretora Comercial Grupo Labhoro
Matéria escrita para coluna Agro do Infomoney.

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